Casa cheia e animação no Show Vozes do Morro 2009
Publicado: 21/12/2009 19:15:08
Esse é o resultado de um ano de esforços
Público no Music HallO Show Vozes do Morro 2009 encerrou nesta quarta-feira, 16, um ano de atividades do programa do Servas e Governo de Minas. Casa cheia, animação e diversidade de ritmos e público marcaram a apresentação, no Music Hall. Os dez artistas e bandas selecionados subiram ao palco e, mesmo com estilos diferentes, entusiasmaram a plateia e mostraram o talento das periferias de Belo Horizonte e região. "O Vozes é a imagem de quem não tem imagem", resumiu, no palco, Du Santos, vocalista e guitarrista do Cidadão Comum.
A vice-presidente do Servas, Dulcejane Vaz, ressaltou que o show comemora um ano de sucesso das atividades do Programa Vozes do Morro 2009. "Esse show promove a integração, o encontro dos artistas com suas comunidades e também com outros públicos. Aqui, eles têm a oportunidade de mostrar o talento para um público diferente", disse. O secretário de Cultura, Paulo Brant, também esteve presente no show.
Rock, rap, samba, bossa, black music compuseram um diversificado mosaico musical que mostrou a cara da periferia de Belo Horizonte: rica em criatividade e expressão. A plateia pôde sambar com Geraldo Magnata e Samba de Quintal, ouvir a bossa do Encontro Vocálico, dançar ao som do rock do Cidadão Comum e repente core de Seu Silva, vibrar com o rap do Favela Groove, se agitar com o rock pesado do Cajaba, aproveitar o suingue de Kdu dos Anjos e U-Gueto e as vozes poderosas do Estilo Feminil.
O show durou cerca de três horas, foi apresentado pelo radialista Tutti Maravilha e encerrado pelo Tianastácia, que apadrinhou o Vozes do Morro 2009. Uma estrutura profissional foi montada para o show, que durou cerca de três horas e dará origem a um DVD.
O arquiteto Paulo Pontes achou o show ótimo. "Estou dançando o tempo todo e estou vendo grandes talentos", disse ele, enquanto o show acontecia. Monalisa Martins, 16, que foi ao show para assistir o Estilo Feminil, também estava animada na pista. “Esse programa é importante porque mostra o talento do morro, que é muito discriminado”, disse.
Vânia do Santos foi prestigiar o Favela Groove e dançou muito. “Esse programa tem uma importância social muito grande. Esses artistas passam a ser referências em suas comunidades. É um outro caminho, um caminho novo, diferente ao que os jovens da periferia estão habituados”, disse ela, que faz parte da associação cultural do Palmital, em Santa Luzia, comunidade do Favela Groove.
A musicista Solange Gomes ficou impressionada com a qualidade do show. “Esse projeto é maravilhoso. Música, além de gerar trabalho e renda, gera auto-estima”, disse.
Selecionados do ano passado também prestigiaram o show. Liliane Pinheiro, 21, e Evandro Dias, 23, do Kayajhama, compareceram e gostaram muito das apresentações deste ano. “Gosto muito do trabalho do Kdu”, disse Liliane, que é da comunidade da Serra, a mesma de Kdu dos Anjos. Evandro gostou muito também do trabalho do Cajaba e Seu Silva.
Artistas
Os artistas ressaltaram a importância da experiência de tocar no palco do Vozes do Morro 2009. “Tem aqui pessoas de várias comunidades e gente que gosta de rock pesado, de rap, de black music e que, ainda assim, vibra com o som da gente”, disse Du Santos, do Cidadão Comum, grupo de rock de Ribeirão das Neves. Entre os fãs da banda estava Lúcia Antônia, mãe de Du Santos. Ela trabalhou o dia todo, mas conseguiu tempo para convocar as amigas para assistirem o seu filho no palco. “Fiquei muito emocionada. O pai dele está trabalhando fora de Belo Horizonte e não pôde vir. Coloquei o celular para ele ouvir um pouco do show”, disse.
Para o vocalista da banda Seu Silva, Ociran Araújo, o Bira, o show promoveu o compartilhamento de culturas e ritmos. “É um show maravilhoso. Podemos conhecer aqui a diversidade, o outro. O Vozes do Morro promove isso: com a projeção e divulgação, a gente derruba barreiras”, disse. Ele reforçou o papel social do programa. “Com a oportunidade dada pelo Vozes, nos tornamos uma referência para outros jovens da periferia. É uma nova perspectiva que é dada para a comunidade”, disse. O Seu Silva é de Ibirité.
U-Gueto disse que, depois do Vozes do Morro, muito mais gente passou a conhecer o seu trabalho. “Nesse show, os ritmos são muitos diferentes: samba, funk, entre outros. Mas as pessoas se identificam porque a linguagem, a mensagem é a mesma e vem da periferia”, disse U-Gueto, da comunidade do Morro das Pedras.
Beto, do Tianastácia, ressaltou que a história das bandas do Vozes se assemelha com a do grupo. "O Tia apareceu graças a um festival de música em 95. Se não fosse essa oportunidade, o Tia não existiria. Mas o Vozes vai além disso, já que é também um projeto com alcance social. Apadrinharmos o Vozes do Morro 2009 é uma honra e uma oportunidade de retribuirmos tudo o que fizeram por nós", disse.
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