Negros do Mundo
Publicado: 27/11/2009 12:55:11
Afro-descendentes de vários países contam como é viver no Brasil
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, o Brasil tem a maior população negra fora da África. Segundo a Fundação Cultural Palmares (entidade de defesa da cultura afro-brasileira ligada ao Ministério da Cultura), 44,2% da população brasileira é composta por afro-brasileiros. Mas, apesar da “africanidade” visível em nossa cultura, os estrangeiros que aqui moram ainda acham tudo muito estranho. Parecido mesmo só a alegria do povo. Isso é unânime! É tanto encanto que muitos chegam e não voltam mais para sua terra natal. E de coração aberto, o Brasil acolhe a todos Guiné-Bissau/Minas Gerais Com o único objetivo de estudar, o africano Samba Candé, de 24 anos, deixou o seu país para viver na histórica São João Del Rey, em Minas Gerais. “Fui selecionado para a Universidade Federal através do Convênio do Programa de Estudantes Estrangeiros do Curso de Graduação (PEC-G), que envolve alguns países da África e da América Latina. Estou muito orgulhoso por isso”, conta. Morando no Brasil há quatro anos e meio, Cande - um observador nato - já percebeu as diferenças entre os dois países e, segundo ele, são muitas. “Embora digam que o Brasil tem um pé na África, a diferença ainda é enorme em termos de cultura. Alguns Estados, como a Bahia, podem ser considerados uma parte da África, mas o Brasil tem uma cultura mais liberal e ousada. Na África a variedade é grande, mas com certas restrições, dependendo da tribo. Agora, uma das semelhanças que encontrei aqui é que tanto no Brasil como na África tem espaço para todo o mundo”, comemora. Ele mora em uma república com dois brasileiros e outro africano e pretende voltar para a Guiné-Bissau assim que se formar. Orgulhoso de sua origem, o estudante mata a saudade pensando nos amigos e na família e vai na contramão da maioria dos estrangeiros que chegam por aqui. “Onde nascemos e crescemos é sempre melhor do que qualquer lugar do mundo”. Candé é um jovem viajado e em suas andanças por 14 países da África Ocidental diz nunca ter sofrido preconceito. Por lá, o que mais incomoda é a rivalidade entre as tribos. Em Guiné-Bissau, segundo ele, o assunto racismo já está superado, “por se tratar de um país em busca de paz e estabilidade”. Mas é fato que no Brasil as coisas são bem diferentes. “É um preconceito disfarçado de peruca e com falsa identidade”, dispara o estudante. por Janaina Azevedo Estados Unidos/São Paulo A americana do Mississippi, Brinder Louise Martin, veio ao Brasil pela primeira vez em 2006, a convite de um amigo brasileiro dono de uma escola de inglês de aprendizado rápido que a convidou para trabalhar por aqui. Ser uma estrangeira dando aulas no Brasil nunca chegou a ser um problema para a americana. “É fantástica a relação que tenho com os meus alunos. Eu os amo e acho que eles sentem o mesmo por mim. Nós rimos e choramos juntos”, conta Brinder que, assim que chegou a São Paulo, trouxe consigo seu trabalho voluntário. “Sou uma missionária aqui, vou a lugares pobres em que as pessoas precisam de ajuda e dou cobertor, sapatos, além de palestras em várias igrejas. Faço o mesmo trabalho nos Estados Unidos, mas lá eu vou às prisões de mulheres e ensino a Bíblia. Possuo um trabalho em Memphis chamado Grace and Mercy”, relata. Em termos de comparação, Brinder, diz que a capital paulista não se parece em nada com Memphis. Já Nova York é a cara de São Paulo. Mas nem por isso deixou de se apaixonar pela capital paulista. “Eu amo a comida - a pizza é maravilhosa - os carros e as pessoas. Os brasileiros adoram abraçar e beijar e eu preciso muito disso”, conta, entre gargalhadas. E mesmo com pouco tempo no Brasil, ela já conquistou muitos corações por aqui, mais do que em seu país de origem. “Você não vai acreditar, mas tenho mais amigos aqui no Brasil do que nos Estados Unidos. Aqui é diferente. São todos amáveis, gentis, compreensíveis e bastante confiáveis”, afirma. Preconceito? Mesmo já sendo vítima certa vez em uma agência bancária, ela nem dá bola para isso e ensina: “Existe preconceito em qualquer lugar que você vá. Onde há pessoas diferentes, há preconceito. Mas eu não me preocupo com isso, porque eu sei o que sou e o que represento”, explica Brinder, que espera um dia se tornar cidadã brasileira.