PMs espancam e ameaçam jovens em Santa Catarina
Publicado: 8/10/2009 18:00:38
Em Timbó (SC) a Polícia Civil está investigando um soldado da Polícia Militar acusado de espancamento.

A câmera foi posicionada pouco antes de a Polícia Militar entrar no apartamento onde estavam três rapazes. Segundo eles, vizinhos reclamaram da baderna que os jovens faziam. Quatro policiais militares foram até o local. Um deles, o soldado Carlos Murara, aparece nas imagens dando pontapés e usando a coronha da espingarda para agredir os rapazes que, caídos, não aparecem nas imagens.

Antes de seguir para a delegacia, o soldado manda um colega limpar o rosto de um dos jovens: “Limpa os cornos deste m... Sai, sai, sai. Não limpa o c... ou tu acha que não vão registrar que ele está com a cara rasgada”, diz.

Nenhum dos jovens tinha antecedentes criminais. Eles não quiseram comentar a agressão. A Polícia Militar reconhece que houve excesso de força, mas alega que os rapazes teriam armado o flagrante, já que era a terceira vez que os PMs iam ao local pedir silêncio.

“O que a gente tem de informações foi que os jovens preparam todo um teatro, prepararam um cena com a intenção de denegrir a imagem da corporação”, diz o major Edmílson Sagaz, da Polícia Militar.

O caso aconteceu há 11 dias e só veio a público agora depois que as imagens foram parar na internet.

Resultado: outros três jovens da cidade de Timbó denunciaram que também foram agredidos pelo mesmo soldado quando o carro deles foi parado em uma blitz.

"Pediu a habilitação, os documentos do carro e eu entreguei a ele. Ele falou que no veículo havia uma pessoa a mais. A gente desceu, ele pegou e começou a agredir. Agrediu eu, meu primo, meu irmão e acabou baleando meu braço”, comenta o vidraceiro José Gentil Gonçalves.

José terá que fazer uma cirurgia. O irmão dele, o metalúrgico Marcelo Gonçalves, tenta que tentou intervir e que também acabou espancado: “Eles estavam agredindo meu irmão e meu primo e eu fui ver o que estava acontecendo. Ele partiu para agressão. Fui agredido por bala de borracha, algemado no chão e foi agredido por socos e pontapés”.

O soldado envolvido nas agressões vai responder a um inquérito policial militar. Ele foi transferido para um trabalho interno.

Segundo a Polícia Civil, os inquéritos devem ser concluídos em quinze dias.